terça-feira, 26 de julho de 2011

A Base

O que é o desejo de uma mãe, senão oferecer o melhor para seus filhos? Desde que eu soube que estava grávida, praticamente direcionei todos os meus desejos e vontades para aquela pequena vida que estava por chegar. E quando meu filho nasceu, esqueci alguns caprichos e dediquei todas as minhas forças e atenção a ele.
É óbvio que o exagero faz mal e eu percebi isso quando precisei voltar a trabalhar e deixá-lo na escola. Foi um sofrimento absurdo... pra mim. Porque ele ficou ótimo, claro. Então, trabalhando novamente, eu percebi que o mundo não parou porque meu filho nasceu e – mais do que isso – a minha vida estava ali, pedindo para ser vivida. Voltei a arrumar meu cabelo, a comprar roupa pra mim, a querer sair e curtir meu marido. A vida me chamando...
Mas agora eu sou mãe, muita coisa mudou. Embora eu ache que já tenha conquistado o equilíbrio entre o que oferecer ao meu filho e o que oferecer a mim mesma, é óbvio que eu desejo que ele tenha tudo: tudo o que eu tive, tudo o que eu não tive, tudo o que ele quiser. Ninguém quer que o filho sofra, sinta dor ou passe por uma situação ruim. E é exatamente por tudo isso, que fiz esta enorme introdução até chegar no que me motivou a escrever.
Estava assistindo ao reprise de um seriado que eu gosto muito, chamado Gilmore Girls e neste episódio, a filha tinha conseguido seu primeiro emprego como jornalista formada e sairia de casa, moraria em outro estado e não sabia quando poderia voltar. Nisso, sua mãe estava, num ato totalmente novo, já que não era uma boa dona de casa, passando suas roupas para fazer a mala da filha. Quando a filha viu, perguntou o porquê da mãe estar fazendo aquilo, que era desnecessário. E a mãe disse:
- Não quero que te falte nada, filha.
E foi aí que meu coração despedaçou, quando a filha respondeu:
- Mãe, você já me deu tudo o que eu preciso.
É óbvio que a filha não estava falando de roupa, dinheiro ou coisas materiais. Ela estava avisando a mãe – que estava com o coração feliz pela conquista, mas apertado pela distância – de que ela estava bem, que ela iria conseguir, porque sua mãe tinha lhe dado toda a base necessária.
Neste momento eu percebi que mesmo na dramaturgia, os bons roteiristas conseguem definir o quão visceral pode ser o amor de uma mãe por seu filho. E que aquele jargão de que todas as mães são iguais, é sempre válido. Porque é isso que todas as mães querem: dar tudo o que seus filhos precisam.
Espero, realmente, que daqui alguns anos (muitos, por favor...) meu filho também se sinta preparado para a vida, para caminhar sozinho e encontrar seu espaço porque terá a certeza de que teve de seus pais, tudo o que precisava. Que ele entenda que nosso esforço é única e exclusivamente para que ele tenha uma base sólida e que seja muito, muito feliz. Só assim acho que minha missão terá sido cumprida. 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A descoberta

Já disse aqui uma vez que estar próxima dos 30 anos não tem me deixado muito à vontade.
Sei que é uma coisa psicológica e é uma data importante, já que, teoricamente, marca um novo início, mas é aquela coisa: depois dos 30 a única coisa que te espera é a chegada dos "enta"- fase da qual você sai com a morte - ou, o que é pouco provável - se viver cem anos. 

E você descobre que está ficando velha quando sente umas dores de cabeça nunca antes apresentada. Dá uma vertigem, um horror de ficar no claro, porque está tudo "solto" lá dentro. Então você vai ao médico e ouve: vamos fazer uns exames porque os sintomas são de labirintite ou enxaqueca.

Duas palavrinhas novas no seu dia-a-dia. Fala sério, quem se preocuparia com isso aos 20 anos? Mas agora, esta é uma realidade. Remédios, soros, seringas e exames depois, vem o diagnóstico: enxaqueca "braba". Nada de luz, barulho, movimentações. Repouso completo e absoluto por dois dias. 

Alguém explica para este médico que eu tenho um filho de 4 anos? Ah, claro, alguém conta que eu tenho mais de 200 alunos me esperando nos próximos dias? Teoricamente, nada disso interessa. Faça o repouso, melhore e então, volte 100%. 

E com a descoberta desta enxaqueca, marco definitivamente minha chegada aos 30 anos. E fica o desejo de que, nos próximos meses, a chegada a esta idade traga, enfim, coisas boas. 

domingo, 22 de maio de 2011

Um desabafo na madrugada

Escrever, para mim, é coisa séria. Mais do que despejar palavras, é momento de reflexão e de organizar os pensamentos. Talvez eu pense assim porque “ganhei a vida” por longos e demorados onze anos escrevendo. Talvez porque hoje ensine sobre a importância de ler e escrever bem. Ou talvez seja mesmo porque eu fiz deste ofício a minha paixão. E paixão não se explica.

Acontece que ultimamente tenho sentido uma vontade absurda de escrever. E ela é proporcionalmente inversa à minha vontade de conversar. Não sei o que tem acontecido, mas ando meio cismada de gente. Não quero papo, não quero desabafar, não quero ombro amigo. Essas coisas me cansam porque, sério mesmo, nunca funcionam. São lindas na teoria.

Meu bom e fiel escudeiro é o teclado. Ele sim aguenta meus dias ranzinzas sem responder com frases de efeito tiradas de caminhões. E agora, na madrugada deste dia inacreditavelmente chato – embora tenha sido um sábado – venho despejar minhas mágoas.

Têm coisas que eu não consigo dizer. Estão presas em minha garganta, mas não saem. Não sou uma pessoa muito carismática e boazinha para dizer o que penso de forma polida. Por isso, tenho medo de falar e magoar, brigar. Melhor então que as palavras fiquem onde estão, embora eu sinta uma dor psicológica na garganta.

Meus problemas estão longe de ser uma tragédia. Tenho acompanhado de perto a luta de uma grande amiga minha com um seríssimo problema DE VERDADE e fico me sentindo até mesquinha e egoísta por reclamar tanto da vida. No entanto, os problemas pelos quais estou passando estão atrapalhando a minha rotina. Falta de perspectiva, sabe?

Não tem coisa pior do que querer sair do lugar e não saber para onde ir. E, quando se sabe, faltam recursos, meios, destinos. É horrível se sentir sozinha mesmo com pessoas ao seu lado. Dizem que esta é a verdadeira solidão. Será? Queria ter coragem e poder para tomar as decisões que rondam minha cabeça.

Quer saber? Ser adulta é um saco.

domingo, 17 de abril de 2011

Dia 26: Sua semana, em detalhe

Segunda: Fui mais cedo para o trabalho para dar tempo de colocar meus diários de classe em ordem. Dei as duas aulas do dia, peguei meu filho na escola e por volta de 14h00 chegamos em casa. Passei a tarde montando umas provinhas.

Terça: Dia agitado e cansativo. Achei que ia trabalhar depois de entregar uns papéis pro despachante e acabamos descobrindo que "o buraco é mais embaixo". Fomos parar em Araçoiaba da Serra (Barra Funda/Sorocaba/Araçoiaba). Saí de casa às 7h00 da manhã e só cheguei às 19h00. Argh!

Quarta: Acordo cedo, vou ao Detran, informam que eu preciso de um papel que eu não tenho, vou até a Lapa pegar o papel, volto pro Detran, descubro que não precisava do tal papel, fui encaminhada até a R. São Bento. Vou até o Centro, entrego os papéis, tem que esperar 4 horas para ficar pronto. Aproveito para almoçar, saio pelas ruas do centro e quase sou assaltada. Por volta de 17h o papel fica pronto. Vou  pegar meu filho no colégio, volto pra casa. Faço janta e passo a roupa do outro dia.

Quinta: Dando aula das 7h00 às 17h40. 

Sexta: Dando aula das 7h00 às 13h10. À tarde, arrumar uma roupa nova, fazer unhas e cabelo para uma festa de 15 anos que teria a noite. Stress total. Às 22h00: pronta para a festa. Chegada em casa: 02h00.

Sábado: Veja o post de ontem.

Domingo: Dia da preguiça. Fiquei no CityVille o dia todo. Depois, assisti ao filme baseado no livro "A Última Música". Chorei só um pouco. 

Semaninha de merda, pelamor.

sábado, 16 de abril de 2011

Dia 25: Seu dia, em detalhe

Sabadão foi um dia agitado...
Vamos lá:

8h30 - Acordei com o meu filho pedindo para ir ao banheiro. Levei-o e como estava muito calor, nem consegui mais dormir. Desci com ele e enquanto ele assistia desenho, liguei o note e fui pro meu vício: CityVille.

11h00 - Tomei banho, comecei a fazer arroz e acordei o marido para irmos ao churrasco dos professores do colégio.

12h30 - Fomos ao churras e estava maravilhoso. Um delicioso encontro entre pessoas que gosto muito. Muita risada, muita tiração de sarro, muita comida.

17h00 - Levamos o meu filho para brincar no parquinho do Toronto.

19h - Chegamos em casa depois da jornada Toronto-Freguesia.

22h - Acabei de pedir uma pizza e estou mexendo no meu vício - aliás, minha cidade está linda. Esperando a pizza chegar, assistindo ao programa do Rodrigo Faro.

Provavelmente eu vá dormir lá para a 1h, 1h30, no máximo.

E viva o sábado!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Dia 24: Seu lugar preferido

Do jeito que as coisas andam ultimamente, o lugar que eu mais gosto de estar no mundo é na minha cama.

Sono, cansaço, gripe, garganta machucada. 

Só lá mesmo para eu ficar bem. 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Dia 23: Um vídeo do YouTube

Tá, eu sei que o meu "memê de um mês" não tá certinho porque não estou vindo aqui todos os dias.
Tenho muitas justificativas para isso, mas não quero cansá-lo com minhas histórias, querido leitor. Por isso, vou seguir com os temas do dia, mesmo que eu não escreva exatamente dia após dia, ok?

O tema de hoje é um vídeo do YouTube. Ao mesmo tempo que tem tanto lixo, tem muita coisa boa lá, né?

Mas, para variar, vou puxar sardinha pro meu lado e escolherei um vídeo bem pessoal: o que eu, meu marido e os padrinhos do meu filho montamos para a festa de 3 aninhos dele, em 2010. Foi uma retrospectiva com fotos e vídeos e, óbvio, acho que ficou linda. Sei que minha opinião não conta, mas se é para falar de vídeo favorito não tem jeito, é este! Assista aqui, veja se gosta também.

sábado, 9 de abril de 2011

Dia 22: Um site

Ah, tem um monte de site legal pra indicar: de poesia, de fofoca, de viagens...

Mas, como fotomontagem tem feito sucesso, fica aqui a dica do melhor site do gênero que eu conheço: www.faceinhole.com

Divirta-se! 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Dia 21: Uma receita

Sério mesmo que hoje o tema é receita?
Eu sou ótima pra comer, mas pra fazer...
Serve receita de como cozinhar salsicha? :o)

Bom, vou colocar aqui a receita da minha última especialidade: miojo com requeijão!

Vamos lá:

Ingredientes
- um pacote de miojo, do tipo cremoso, sabor de sua preferência
- duas colheres de requeijão

Modo de Fazer
- Ferva 300 ml de água e coloque o miojo lá dentro. Quando estiver molinho, apague o fogo e jogue o pozinho do tempero.
- Coloque no seu prato ainda bem quente e misture as duas colheres de requeijão, mexendo bastante para que ele derreta e deixe o macarrão bem cremoso.

Agora é só comer! Fica uma delícia!

domingo, 3 de abril de 2011

Dia 20: Um hobby

Assistir a seriados, ler, ir ao cinema, ao shopping, fazer compras.
Tenho muitos hobbys. 
Entre eles, o que mais me distrai quando estou sozinha e quero silêncio é bordar ponto cruz.
Sempre tenho umas toalhinhas e paninhos em casa que são minha salvação quando quero clarear a mente.
Bordar é uma terapia e um hobby que eu adoro!

Parece uma coisa dos séculos passados, nem combina muito com as coisas modernas das quais estou acostumada, mas bordar ponto cruz é um hobby delicioso!

sábado, 2 de abril de 2011

Dia 19: Um talento seu

Não sei cozinhar, sou péssima para dar más notícias e como boa libriana, sou mestre na indecisão. 
Mas eu tenho um talento: eu sei escrever. E, modéstia a parte, sei que escrevo muito bem.
Desde pequena levo este hábito comigo. Perdi a conta de quantos diários, agendas e questionários eu já tive. Sem falar nos blogs. Sempre carrego comigo um caderninho, aonde anoto ideias, pensamentos e o que for necessário.
Na época da escola, eu era a responsável pelas redações. Tempos depois, tudo o que precisava ser escrito em qualquer trabalho era encaminhado para mim.

Sou boa com palavras escritas. É mais fácil se expressar escrevendo do que falando. Falar exige capacidades que vão além do meu poder. Certos assuntos me deixam sensível ou grossa demais. Eu nunca consegui ter uma boa conversa com o meu pai, por exemplo. Tudo o que eu sempre quis falar para ele sempre sai melhor em textos. Também coloco melhor no papel as minhas emoções, os meus sentimentos e, claro, como jornalista que sou, deixo qualquer notícia melhor quando ela é escrita. 

Devo ter outros talentos também. Todos nós temos talentos e defeitos múltiplos e é isso que nos faz ser humanos e nos difere um dos outros. Mas, escrever, com certeza, é um talento que tenho e que gosto muito de ter.

Abaixo, alguns dos meus textos favoritos:




sexta-feira, 1 de abril de 2011

Dia 18: Um poema

Aí sim estamos falando a minha língua!
Este tema eu domino e ficaria por dias aqui só falando sobre meus poemas favoritos.

Mas, como o objetivo não é este, vou discorrer sobre um poema da Clarice Lispector que sempre lembro.
Conheci-o em um momento da minha em que ele foi bastante propício e nunca mais esqueci destas palavras. Porque às vezes a vida da gente é assim mesmo: estamos em uma relação/emprego sem saber por quê: é comodismo, preguiça e medo de procurar o novo. No entanto, como em tudo na vida, é preciso coragem para seguir em frente, procurar novos caminhos e seguir nossos ideais. Às vezes, tudo o que temos é realmente um tripé do qual estamos acostumados, mas que, quando tiramos esta terceira perna, percebemos que continuamos firmes.

É lição de vida em forma de poesia. Simples assim. 

"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com as duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar".

quinta-feira, 31 de março de 2011

Dia 17: Uma escultura

Não sou muito ligada em escultura, prefiro pintura. No entanto, este clássico, feito por Rodin, me emociona.
Fico imaginando o que passava na cabeça do autor para criar uma personagem tão polêmica. Em que estaria pensando este pobre homem? Ou não seria tão pobre assim?
Que dor ele vive que lhe deixa tão distante, tão alheio ao mundo?
Enfim, "O Pensador" é minha escultura favorita.

domingo, 27 de março de 2011

Dia 16: Uma música que te faz chorar

How Can I Go on? cantada por Monserrat Cabalet e Freddie Mercury.

Sempre que ouço esta música, alguma coisa acontece comigo.
Não sei se é o ritmo, as vozes, a entonação, a letra. 
Ela mexe comigo. E me emociona.

Veja se com você também é assim.



sábado, 26 de março de 2011

Dia 15: Uma fotomontagem

Dou risada só de ler este item.
Fiquei pensando no que colocar... tenho poucas fotomontagens.
Mas gosto, em especial, desta aqui, em que sou beijada pelo meu lobo e meu vampiro favoritos! :o)


Poderoooosa!


sexta-feira, 25 de março de 2011

Dia 14: Um livro de não-ficção

Quem é que nunca reclamou da vida financeira achando que se tivesse um pouco mais de dinheiro - ou talvez  muito mais - nada seria como é agora?
Impossível, todos nós já nos pegamos imaginando o que faríamos se ganhássemos na Megasenha. Tudo seria resolvido. Problemas? Nunca mais!

Até que a gente lê Por um fio, de Drauzio Varella e percebe que as coisas não são bem assim. O livro traz histórias curtas de pacientes com câncer atendidos pelo médico. E mexe muito com a nossa estrutura. Eu fiquei extremamente abalada com certos casos que nos faz pensar: "a gente não é nada mesmo nesta vida". Dinheiro é bom, claro e ajuda muito. Resolve muita coisa, é verdade. Mas tem momentos em que a gente percebe que ele realmente não é tudo.

A clínica oncológica do Drauzio é num bairro chique - e obviamente seus pacientes são todos ricos. Riquíssimos. No entanto, conhecem uma dor que, felizmente, nunca cheguei perto de constatar e que nem mesmo o dinheiro deles consegue conter. 

Uma das histórias mais interessantes é a de um senhor, que já muito debilitado, ainda queria exercer a função de presidente de sua empresa e tinha um funcionário garoto, office-boy, que todos os dias lhe levava papéis para assinar. Este senhor estava em um quarto muito chique, com degraus, cadeiras de couro, cama king size e tudo mais. Então, quanto o simples office-boy sai de seu quarto e pula os degraus da escada para ir embora, o senhor - que tinha tanta riqueza e de nada lhe adiantava naquele momento - disse ao médico:
- Daria toda a minha história de vida, minha profissão e minhas conquistas apenas para poder dar um salto destes. 
E, claro, ele nunca mais saiu da cama.

Se você tá precisando de um choque de realidade, de um chacoalho moral, leia Por um fio. Faz bem pra alma.

terça-feira, 22 de março de 2011

Dia 13: Um livro de ficção

Já falei aqui que meu livro favorito é Pai & Filho, de Tony Parsons.
Mas, como hoje o tema ainda é livro e a categoria é não-ficção, eu preciso falar da série Crepúsculo.

Eu amo estes livros. Muito. Fui apresentada a eles pela minha cunhada Michele e desde então sou completamente apaixonada pela história da Bella e do Edward.
Já falei também sobre este amor lindo deles aqui. Um romance que não existe mais, que ultrapassa barreiras.
É mera ficção, claro. Mas eu sou apaixonada por eles... 
É para ler e suspirar... ai, ai...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Dia 12: Um conto

Gosto muito de contos e este, da Clarice Lispector, me chama a atenção em especial. Eu também sinto uma paixão por livros, por isso, entendo a personagem.
Espero que você goste. 


Felicidade clandestina - Clarice Lispector

Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.

Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade".

Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.

Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.

Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.

Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.

No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo.

E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!

E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.

Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.

Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.

Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.

domingo, 20 de março de 2011

Dia 11: Uma foto sua recente

Adoro esta foto e ela é bem recente: tiramos agora no Carnaval, quando fizemos a festa para comemorar o aniversário de 4 anos do meu filho. 

Faz tempo que não tiro foto em que estou sozinha. Depois que a gente tem filhos, não tem jeito, a gente deixa de ser uma pessoa só. Quando fui procurar uma foto minha de dez anos atrás, achei várias só minhas. Agora, uma recente, não tenho nenhuma...rs 

Minha linda família e eu. Amo demais.


sábado, 19 de março de 2011

Dia 10: Uma foto sua de mais de 10 anos

Estes dias eu coloquei na minha página no Facebook umas fotos antigonas... Daquelas de matar a saudade, sabe?
Então, responder a esta foi fácil, porque estava com as imagens fresquinhas na memória...

Esta foto tem exatos 10 anos: foi no carnaval de 2001, em Ilhabela. Foi num quiosque na Praia da Feiticeira. Eita época gostosa...



sexta-feira, 18 de março de 2011

Dia 09: Uma foto que você tirou

Esta foto me dá uma preguiiiiça!
Adoro!
Tirei no fim do ano passado, pouco antes do reveillón, para resumir como estavam sendo as minhas férias: o dia todo de pernas pro ar na rede, às vezes lendo, às vezes dormindo, às vezes só descansando pra voltar pra piscina...


A gente devia ter férias de 15 dias a cada um mês. Pelo menos.



quinta-feira, 17 de março de 2011

Dia 08: Uma foto que te deixa triste

Em outubro do ano passado eu senti, pela primeira vez, em 29 anos de vida, a dor de perder uma pessoa querida.

Mais que alguém da família, o Marcelo era uma pessoa muito, muito querida, que realmente alegrava e iluminava aonde passava. Meu filho era seu grande fã, desde sempre. Não podia vê-lo que corria para o seu colo, querendo brincar, porque sabia que ali a farra não tinha fim.

Enfim, após a morte do Marcelo eu comecei a acreditar que Deus realmente quer as pessoas boas ao seu lado. Ver suas fotos me deixa saudosa e triste.

Esta foto, para mim, é muito especial, porque foi tirada no último aniversário do Vini em que ele esteve conosco. E neste dia, ele tinha que trabalhar, mas lembro tão bem dele me dizendo: "Falei pra Géli (esposa dele) que a gente tinha que vir, porque é tão raro estarmos todos juntos, que temos que aproveitar estas festas da família pra gente se ver". 

Dói pra caramba.

(Marcelo, meu filho no colo, sua esposa e seu filho)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Dia 07: Uma foto que te faz feliz

Aahhh... são tantas! Podia valer fazer uma grande montagem! :o)

Mas acredito que esta foto represente bem este item. 
Foi no primeiro aniversário do meu filho.
Acho que nunca babamos tanto como naquele dia. É uma emoção muito grande comemorar o primeiro aniversário do seu filho e nós vivemos isso intensamente.

Sempre que lembro da festa, lembro da nossa alegria em comemorar com as pessoas que fazem parte da nossa vida este momento tão importante. 

Esta foto, definitivamente, me faz feliz. 



terça-feira, 15 de março de 2011

Dia 06: Uma experiência inesquecível

Fiquei pensando em experiências inesquecíveis e só o que me veio à cabeça, inicialmente, são as básicas: meu casamento: entrar na igreja vestida de noiva;  o dia do nascimento do meu filho. Mas estas experiências são tão vitais que por si só são inesquecíveis e óbvias.

Então fiquei lembrando de coisas que vivi: minhas formaturas, a primeira vez que andei de avião, o dia em que conheci famosos dos quais eu era ou ainda sou fã, os shows que assisti, o dia em que tirei minha habilitação, quando dirigi sozinha pela primeira vez na estrada, o jogo do São Paulo que eu assisti no Morumbi, meu primeiro trabalho como jornalista, a primeira vez que encarei uma sala de aula etc... E aí eu percebi que isso tudo é muito óbvio também.

Ora… eu não tenho experiência inesquecível! Aquela coisa única sua, que ninguém vai viver igual. Claro que tenho experiências maravilhosas: ver meu filho falando que me ama é uma delas. Mas A MINHA EXPERIÊNCIA INESQUECÍVEL, não tenho.

Triste isso, não? 

Dia 05: Uma citação de alguém

"Ever thine, ever mine, ever ours."

As pessoas conhecem esta frase do filme Sex and the City, porque faz parte dos votos de casamento da Carrie e do Big. No entanto, a história dela vai muito além, porque é original de Beethoven, escritas em uma de suas três cartas ao seu amor secreto.

Adoro esta citação porque ela sintetiza tudo o que sinto pelo meu marido e meu filho. Aliás, não é só uma citação... é a minha próxima tatuagem. 

segunda-feira, 14 de março de 2011

Dia 04: Seu livro favorito

Esta é outra que eu respondo imediatamente: Pai & Filho, de Tony Parsons. Minha edição é da Editora Sextante, não sei se alguma outra o publicou também.

O livro, basicamente, conta a história de um cara (Harry) que, ao fazer 30 anos, entra numa espécie de crise de meia-idade e transa com uma colega do trabalho. Casado com uma mulher linda (Gina) e com um filho de 5 anos (Pat), ele se vê, de repente, separado da mulher. Ela descobre tudo, vai trabalhar e estudar no Japão e deixa o filho para que ele cuide. E é aí começa a história. A história de amor fraterno e superação mais linda do mundo. 

Cada leitura deste livro traz, para mim, uma emoção nova. E acredite, eu já o li muitas, muitas, muitas vezes. 

Todo mundo sabe que eu tenho uma relação delicada com o meu pai, que me abandonou quando eu tinha 3 anos e sempre foi muito ausente. Ler uma história de redenção como esta, de amor, de família, de compaixão, mexeu muito com minha estrutura.

Algumas frases do livro, que, para mim, são perfeitas:

"Gina se lembrava dos aniversários esquecidos de sua infância, o pai sempre mais preocupado com algum relacionamento novo e excitante, as férias prometidas que nunca aconteciam e a mãe dormindo sozinha, envelhecendo sozinha, chorando sozinha. Gina nunca poderia ser indiferente à imagem de uma família comum. Não estava nela. Gina queria um casamento que durasse para sempre porque era exatamente o que os pais dela nunca tiveram."

"Não era só até um de nós se sentir um pouco entediado. Era para sempre - e não só até um de nós resolver que as coisas estavam ficando sem graça no leito conjugal. Não é assim que as coisas funcionam."

"Gina fora embora, mas estava em toda a parte. A casa estava cheia de CDs que eu nunca iria ouvir, livros que eu nunca iria ler e roupas que eu nunca iria usar. Coisas de Gina, que machucavam meu coração toda vez que eu as via. Elas tinham de ir embora. Eu me sentia mal com a ideia de jogar tudo fora, mas, que diabos, a pessoa que vai embora devia levar suas coisas. Suando muito, eu perambulava pela casa removendo o que restava da presença dela. Tudo isso agora era lixo. É espantosa a rapidez com que a gente pode eliminar da casa os traços da vida de uma pessoa. Tanto tempo para colocar nossa marca e tão pouco tempo para varrê-la. Mais tarde, levei algumas horas esvaziado os sacos de lixo e recolocando cuidadosamente as roupas, os CDs, os livros, as gravuras e tudo mais nos exatos lugares de onde eu os tirara. Porque eu sentia falta dela. Sentia uma falta louca. E eu queria que todas as coisas de Gina estivessem exatamente onde ela as havia deixado, prontas e à sua espera no caso de algum dia ela querer voltar para casa."

"A gente precisa de carteira para dirigir um carro. Precisa de licença para ter um cachorro. Mas qualquer um pode colocar um filho no mundo. Afinal de contas, eu pensei, a mãe solteira é o pai que ficou."

"Nós ferramos a nossa vida toda vez e são os nossos filhos que pagam a conta. Nós mudamos para outros relacionamentos, estamos sempre começando de novo, sempre querendo mais uma chance para dar certo, e são as crianças de todos esses casamentos que pagam o preço. Eles carregam feridas que vão durar a vida inteira. E isso tem de acabar."

Enfim, eu sei que temos muitos clássicos da literatura e eu gosto de vários deles, mas nenhum livro que eu já tenha lido se compara ao que este livro faz comigo. Pai & Filho, sempre. 



domingo, 13 de março de 2011

Dia 03: Seu programa de TV favorito

Posso começar a lista? :o)
São muitos, cada um na sua categoria específica... Eu poderia passar o dia aqui só fazendo esta classificação...
Ok, eu sei que este não é o objetivo da brincadeira, então, sejamos sucintos - se é que uma libriana sabe o que é isso.

O melhor programa de TV, para mim, foi, é e sempre será Gilmore Girls
Qualquer pessoa que tenha família, com certeza já se viu em alguma daquelas situações. Difícil assistir a este seriado e não se identificar com todas as personagens. Eu mesma, quando me defino, digo que tenho meus dias de Lorelai, Rory e Emily Gilmore. Porque não dizer que também tenho momentos de trapalhada como a Sookie ou de histeria como a Paris? 

São sete temporadas, ou seja, sete anos na vida destas personagens que nos fazem rir, chorar e torcer por cada decisão que elas tomam. Acabou, é verdade. Mas só na TV. Porque a mensagem de Gilmore Girls é eterna: não importa o que você faça, você sempre volta para sua família.

sábado, 12 de março de 2011

Dia 02: Seu filme preferido

Esta é fácil, fácil: Orgulho e Preconceito, na nova versão, com a Keira Knightley como Lizzie e o gatíssimo Matthew Macfadyen como Mr. Darcy.

Eu já adoro o livro, mas dar vida à estas personagens que eu amo tanto me faz ter este filme como o melhor de todos. Isso porquê trata-se da mais linda história de amor que eu já conheci, um amor puro, real - que não é perfeito - porque o amor de verdade não é perfeito.

As personagens aprendem a se amar e se respeitar pelo que realmente são, aceitando defeitos e virtudes - como deve ser um grande amor.

Enfim, trata-se de um clássico da literatura de língua inglesa que ficou perfeito na telona.






sexta-feira, 11 de março de 2011

Dia 01: Sua música favorita

Uma colega me tuitou: pq vc não faz um memê de um mês no seu blog?
Minha primeira reação foi: ahn? Depois, descobri o que era.
E achei a ideia legal.
Por isso, vou começar.

E no dia 01 o tema é: música favorita.

Difícil é escolher uma, porque cada música desperta uma sensação. Mas tem uma música que sempre que eu escuto, eu PRECISO deixar no último volume: "Na sua estante", da Pitty.

A letra nem se encaixa com nenhuma situação minha, mas o som desta música me faz viajar. A batida é deliciosa, lava a alma.

Experimente cantá-la beeem alto e você verá que sairá renovado da experiência!

Na sua estante


Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar
Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar ao menos mande notícias
Cê acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se
curam
E essa abstinência uma hora vai passar...

terça-feira, 1 de março de 2011

Dizer sim também é difícil

No começo deste ano eu precisei dizer um sim que me doeu na alma.
Fiquei por uma semana remoendo se esta seria a resposta correta a dar e quais seriam as consequências se eu não a dissesse.
Tive dor de estômago, chorei, não dormi bem, fiquei uma mala sem alça.
Tudo porquê eu sou uma pessoa muito indecisa e extremamente passional.

Tive de escolher entre um emprego e outro. Mas, mais do que um mero emprego, era a primeira vez em que eu gostava de ir para o trabalho, em 12 anos de vida profissional. Acordava disposta, feliz. Não era apenas um lugar aonde eu ia trabalhar. Era um lugar onde eu ia ver amigos. Pessoas que me respeitavam, gostavam de mim e demonstravam isso. E eu, apaixonada por todas elas.

No entanto, algumas coisas falavam mais alto. Era necessário pensar com a razão também. Meu filho, motivo de tantas mudanças na minha vida, estava ficando um pouco de lado, já que mais uma vez passava o dia na escola. Nesta nova oportunidade, eu teria mais tempo para ficar com ele. Também teria tempo para uma academia – mesmo que seja uma utopia, mas saber que eu tenho tempo para ela me faz ter coragem para efetuar a matrícula. Enfim, mais tempo pra mim. Pra ficar em casa. Pra dormir. Pra sair. Pra viver.

E, por mais que esta tenha sido a decisão mais difícil que eu tive de tomar nos últimos anos, acabei dizendo sim. Aceitei o novo. Afinal, eu não fui procurá-lo. Se bateu à minha porta, sei lá, talvez é porque era para ser assim.

Juro que nunca imaginei que dizer sim podia doer tanto quanto dizer não. Porque dizer não é bem difícil. Mas este sim foi pior. Eu dizia sim para um e meu coração morria por causa do outro.

Confesso que fiquei mal por umas duas semanas. Repensando minha vida, minha decisão. Cheguei a me arrepender algumas vezes, para lembrar em seguida dos motivos da minha mudança e ver tudo melhor depois.

Mas uma coisa eu preciso dizer: sem o carinho dos meus alunos – os antigos e os atuais – eu não teria conseguido.

Doeu muito ler cada uma das mensagens de despedida que eles me mandaram. Chorei feito bebê lendo algumas delas, imaginando a carinha deles dizendo aquelas coisas. Encontrá-los depois também foi bem difícil. Mas, quando eu dizia o porqê da mudança, perceber que me apoiavam e que continuariam me amando, me fez ter forças. Porque certos laços não se desfazem assim.

Depois, tive o passo-a-passo do conhecimento com meus novos alunos. Cada um deles, com suas particularidades, suas manias. Todo começo é difícil. Para eles e para mim. Mas tudo está fluindo tão bem! Eles me receberam bem. E eu, juro, estou fazendo o melhor que posso para suprir todas as necessidades.

Quando decidi ser professora eu escolhi que não seria apenas mais uma. Eu decidi que faria a diferença, que traria alguma coisa à vida dos meus alunos. Eu sou mãe. Eu sei o que eu quero pro meu filho quando eu o mando à escola. E é exatamente desta forma que eu trato meus alunos.

Amor e confiança são coisas que a gente conquista. E é pra sempre.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Um novo começo

Quem me conhece, sabe: escrever é um vício, uma paixão.

Desde muito antes da invenção dos blogs, eu já tinha minhas agendas e diários, onde retratava o meu dia, os meus medos e, porque não, o meu crescimento.

Acontece que agora, quase aos 30, ainda me sinto crescendo.

E cada vez mais, com uma necessidade quase física de escrever.

Por isso, estou de volta, resgatando o meu blog.

Dei um "up" nele, colocando alguns textos que estavam perdidos no outro site e revendo td o que eu já escrevi. Minha intenção agora é voltar aqui com mais frequência.

Meu objetivo não é ter leitores, mas sim, desabafar. Mas se você me lê e quer comentar alguma coisa, fique à vontade, eu ficarei feliz, sério mesmo. Trocar ideias é sempre bom.

Já estou com uma ideia para um texto novo e vou publicá-lo amanhã.

Obrigada pela visita.
E ao meu blog, fiel companheiro que me acolhe mesmo depois de um tempo de abandono: olá, amigo. Agora você vai ter que me aguentar.

Estou de volta!

World Cup Sucks (texto escrito em 23/06/2010)

Tudo bem, você leitor deve estar achando que eu sou a mala mais sem alça do planeta. Além de não ter alça, estou com zíper quebrado e cheia de água dentro. Eu entendo. Como pode uma brasileira vir aqui e falar mal do Carnaval, que é a maior festa popular do planeta, principalmente no Brasil e depois, vir falar mal do evento mais esperado do futebol, que demora longos quatro anos para acontecer? Sim, este texto vai falar mal da Copa do Mundo. Sim, eu acho a Copa do Mundo um saco. Ah sim, eu sou mesmo brasileira.

Não é que eu não goste de futebol. Longe disso. Adoro assistir aos jogos do meu time do coração, São Paulo - no ano passado tive a experiência maravilhosa de ir assistir a um jogo lá no Morumbi. Foi demais! Mas, como tudo o que é em exagero, cansa, com o futebol não é diferente. E este fanatismo também me tira do sério.

Vamos por partes: o exagero. Ligue a TV a qualquer hora do dia e você verá alguém falando de futebol, ou ainda, um jogo acontecendo. Passa um pela manhã, um pela tarde e um mais para a noite. Um saco! Pior é que todo mundo quer acompanhar, fica falando disso, anotando nas tabelinhas, torcendo por este por aquele. Sem falar nos benditos bolões. E olha a cara feia quando você diz que não quer participar.

Outra coisa que me irrita é todo mundo ter uma opinião formada sobre qualquer assunto relacionado à Copa: quem é o favorito, qual o melhor jogador, quem leva a taça, quem deveria ser escalado, que técnico está viajando, enfim, para poder participar de uma conversa você tem que saber tudo, sobre tudo. Isso me incomoda profundamente.

Mas o que realmente me tira do sério é a rotina mudada por causa dos jogos. Gente, aonde já se viu uma coisa destas? As pessoas PARAM DE TRABALHAR para assistir futebol. As escolas mudam o horário das aulas. Nem ônibus tem nas ruas! E quem precisa sair, trabalhar, ir ao médico, como faz? Não faz, porque aonde quer que você vá não terá atendimento, já que todos estão assistindo ao jogo.

As ruas ficam todas decoradas, as pessoas se vestem e se pintam de verde e amarelo. Todo mundo, de uma hora para a outra, ama o Brasil. Aonde está este amor em dia de eleições? Cadê o patriotismo na luta pelos nossos direitos, na escolha dos nossos comandantes, na busca por educação e saúde de qualidade? Não existe.

Esta alienação me deixa louca da vida.

Não é chatice da minha parte. Acho o futebol um esporte muito legal e a Copa do Mundo um evento bonito, de verdade. Mas o brasileiro consegue estragar tudo. Pra variar.

A crise dos 29 (texto escrito em 19/05/2010)

Estou entrando em crise com a minha idade. Logo eu, que sempre ri com os livros da “Bridget Jones” e achei que não teria este tipo de “paranoia”, confesso: estou abalada. De repente me caiu a ficha que estou indo rumo ao meu último ano na casa dos 20. Se todo mundo tem crise quando chega aos 30, eu estou entrando em crise porque farei 29. Ou seja, além de tudo, sou louca, porque até minha crise chega antes.

Minhas amigas já falaram sobre isso no blog que temos juntas. Enfim, olhando à minha volta, posso perceber que esta crise é normal e que um dia ataca a todos nós. Chegou o meu dia.

Comecei a perceber que a crise estava atacando quando me vi folheando catálogo e olhando na parte de cremes para o rosto e corpo. Sempre detestei cremes. Sério. Não via lógica em sair do banho, limpinha e cheirosa e me “melecar” toda. Nas poucas vezes em que fiz isso, tive ímpetos de correr para uma nova ducha. Mas aí, com um novo olhar, comecei a encontrar linhas de expressão que antes não existiam no meu rosto. E estas olheiras, de onde saíram? Sem contar sobre os cabelos brancos, mas estes não me incomodam tanto, porque existem ali desde os meus quinze anos. Na verdade, não me incomodavam. Agora, quando eles decidiram sair bem na linha divisória do cabelo, minha vontade é arrancar tudo.

Resumo: comprei creme para as linhas de expressão do rosto, creme firmador para a pele um maldito sabonete esfoliante. E, claro, vou voltar a pintar o cabelo, já que a cor natural está meio “natural” demais. Meu marido, acostumado com minha falta de gosto por estas coisas, até me perguntou:

- “Você tá me traindo?”

E ao responder a ele, me dei conta do que estava acontecendo. Porque minha resposta foi:

- “Não, estou com medo de parecer uma velha”.

Lá no colégio, meus alunos me chamam de “prô”, um apelido carinhoso. Mas quando falam comigo sobre mim, me chamam de senhora. Isso acaba comigo. Senhora é a minha vó, quem, aliás, nunca me deixou chamá-la assim. Se quiser briga com a minha avó é só chamá-la de senhora. Ela sempre responde, de pronto, no alto dos seus 70 anos:

- Não me chame de senhora porque eu não sou velha.

E não é mesmo. Ela trabalha, é super lúcida, anda pra cima e pra baixo e, para meu desespero, pinta o cabelo de loiro porque gosta e não para cobrir os fios brancos, que nunca existiram em sua cabeça.

Um dia destes, lá no colégio, uma aluna perguntou a minha idade. Quando eu disse, ela me respondeu:

- Nossa prô, a senhora é bem mais nova que a minha mãe!

Minha vontade foi responder: “claro que sim, né, já que você tem “apenas” 14 anos e eu teria que ter sido mãe na sua idade para que você estivesse aqui hoje”. Depois, pensando melhor, vi que não seria a resposta adequada e apenas sorri e me dei conta: se antes eu era comparada aos amigos e primos, agora já sou comparada às mães. Devem ser as marcas de expressão.

Decidi que quero chegar inteira aos 30. Quero estar bonita, com cabelos bonitos, sem fios brancos, mesmo que tenha que recorrer ao artificial. Também não quero que as marcas de expressão ao redor dos olhos (me recuso a pensar na palavra ruga) estejam mais suaves, a pele mais dura e o manequim, 42. Não quero parecer uma ridícula tentando esconder a idade, mas não quero ter cara de senhora. Pelo menos não aos 30 anos. Se algum dia me chamarem de “dona Denise”, eu acho que tenho um infarte. Não. Melhor ter um ataque de nervos, já que infarte é doença de velho.